isto não é poesia,
isto não é um poema ou prosa
porque versos são uma merda
quer que você se retraía
por mais que você não perceba.
isto é algo que rompe a coisa,
é um delírio,
é a insanidade.
é o seu corpo se jogando do último andar
do prédio e não se ferindo.
é o olhar da janela,
é o caminho da iluminação,
são luzes de néon no meio do nada,
são explosões de homens bombas por dentro,
é a tua alma ardendo em fogo
se arrastando para fora
bradando em gozo.
é o caos,
é o amor,
além do essencial, do puro.
isto é o absurdo,
é olhar o outro e
dar menos valor
aos seus míseros problemas,
é perceber que o outro não ti completa
que o preenchimento antes de tudo
é interno,
é se recriar,
é a falta de compostura,
a alienação
o (des)prendimento
a fúria
a ge-ni-a-li-da-de
que ti envolve,
ti embrulha
na loucura mais insana de todas.
a de se tornar você mesmo.
é o além.
i.so.lamento.
por Francyne R.Nunes
4 de junho de 2012
31 de maio de 2012
radiação
há uma pilha de papéis amarelos na mesa.
vejo-as da minha janela.
as pessoas daqui precisam de atenção
e o menino meio calvo insiste nisso
e sobe no palco e fala alto
pra que obtenha a atenção de todos.
essas pessoas não sabem onde estão
e os hospícios estão cada vez mais visíveis.
chicletes de menta são mais interessantes que elas,
olhar pro chão é mais interessante que elas,
a novela das oito é mais interessante que elas
e elas aos poucos se tornam tão levianas quanto jóias falsas
vendidas em camelos.
essas pessoas são bombas de hidrogênio
destilando suas reações nucleares
com temperaturas da ordem de bilhões de graus
a cada vez que abrem suas bocas.
elas têm uma bomba de nêutrons por dentro,
são a maioria.
não há o que fazer com elas,
a não ser torcer pra que saiam disso.
25 de maio de 2012
A dama da boca grande
[ Esse texto existiu no blog, porém eu o apaguei e modifiquei ele praticamente inteiro, se você chegou a ler o antigo irá perceber.]
Fazia um frio dramático lá fora, a iluminação dos postes estava péssima e só alguns acendiam ainda uma luz fraca amarelada, eu estava com uma blusa fina e batia queixos, ele estava sentado na cadeira com um chapéu, um charuto entre os dedos e um sobretudo preto, tinha olhos pequenos e parados e me olhava por baixo, era uma figura enigmática parecia que tinha acabado de sair de um filme noir.
Fazia um frio dramático lá fora, a iluminação dos postes estava péssima e só alguns acendiam ainda uma luz fraca amarelada, eu estava com uma blusa fina e batia queixos, ele estava sentado na cadeira com um chapéu, um charuto entre os dedos e um sobretudo preto, tinha olhos pequenos e parados e me olhava por baixo, era uma figura enigmática parecia que tinha acabado de sair de um filme noir.
- O trabalho não é fácil.
- Sei.
- Acredito que seja um pouco diferente do que você está acostumada.
- Sem problemas.
- Você terá que manter um sigilo absoluto.
- Sim.
- Você prestará assistências a minha esposa.
- Que tipo de assistência?
- Todas necessárias.
- Huum.
- Minha mulher tem uns gostos, huuum, digamos, excêntricos, entende?
- Não.
- Ela gosta de coisas diferentes.
- Como o que?
- Coisas que para as outras pessoas é um pouco estranho.
- Mulheres?
- Não.
- Olha, eu preferia que o senhor fosse direto ao ponto.
- Minha mulher é masoquista.
- Sei.
- Você vai ter que fazer as vontades dela, ela gosta de ser agredida de várias formas diferentes.
- O senhor quer me contratar para bater em sua mulher?
- Sim
- Porque o senhor mesmo não faz isso?
- Eu sou profundamente condoído.
- Uhum.
O Velho não me disse seu nome, nem o de sua esposa, ele me levaria para sua casa e disse que tudo estaria a minha disposição, alimentação, livros, pintura, tudo ao meu acesso, a única coisa que teria que fazer era agredir a Dama quando a mesma quisesse, ele me deu uma grana pra voltar pra casa e falou que no outro dia ás oito horas, seu motorista estaria na porta do meu apartamento pra me buscar e levar ao meu local de trabalho. Me despedi do Velho e saí, sua sala era tão escura, apenas com um abajur amarelo na mesa, que quando saí meus olhos ardiam. Fui pra estação que estava quase vazia, entrei no trem, um homem de bigode começa a me olhar, ele parece suspeito, mal encarado, saca aquelas pessoas que você olha e sente algo diferente no ar, maldade, passado sujo, fosse o que fosse, ele tinha, ele tinha algo, eu podia sentir o cheiro disso, cheiro de merda e de putaria, começo a suar e a sentir ódio misturado com temor e o homem não para de me olhar, tento disfarçar e não consigo, parece que ninguém no trem percebe isso, percebe que temos um maníaco dentro do trem, ninguém percebe o horror porque estão acostumados com o horror, todos presos dentro daquela ambiente com luzes amarelas e aquele cheiro de guarda chuva, não se olham, não se conhecem, apenas pegam suas conduções todos os dias, para trabalhar, estudar, sair, sem prazer nem um nisso, com a depressão quase pulando dos seus olhos, carregando dia a dia seu próprio cadáver com total consciência disso, é terrível de olhar, é terrível de viver. O que me incomoda não é levantar todos os dias cedo e passar o dia trabalhando, o que mais me incomoda é o jeito que as pessoas se olham nas estações de trem, nos restaurantes, é o jeito que olham para si e para os outros.
O homem de bigode começa a me encarar, tinha uma mala no colo dele, começo a desconfiar que ele é um maníaco tarado e imagino ele estuprando várias mulheres, fico aterrorizada dentro do metro, tem uma mulher do meu lado com uma garrafa quente de café comentou comigo que está indo a um velório, pergunto pra ela se ela quer que eu segure a garrafa porque a mesma estava com milhares de sacola, ela permite. Fico brincando com a garrafa e o homem de bigode continua a me encarar me levanto arranco sua bolsa com tudo e derramo o café fervendo em suas calças.
- Meu Deus, você está louca?
- Seu maníaco tarado, você está de putaria aí, não é?
- O que? Eu ti conheço?
- Desgraçado! Já estuprou alguém hoje?
- Você é maluca?
- Maluca é a puta que ti pariu, fora daqui agora, seu tarado desgraçado, você devia tá na cadeia! O que tem na porra da mala?
- Nada que ti importe!
- Claro que me importa, abre essa porra agora!
- Eu não vou abrir nada!
- Seu filho da puta! Desgraçado!
Peguei meu canivete, eu estava furiosa, ia abrir a mala a força, quando uma menininha de uns 6 anos, me segurou pelo braço.
- Não faça isso com o papai!
- Que?
- Por favor moça, deixa o papai em paz, ele não fez nada com ninguém, por favor.
O cara abriu a mala, tinha uma boneca.
- Hoje é aniversário da minha filha e eu tinha lhe preparado uma surpresa. Satisfeita?
Eu desejei que o trem partisse ao meio naquele momento e eu caísse, céus, eu estava louca, tinha voltado a ver coisas e imaginar coisas, me desculpei totalmente sem jeito e saí na próxima estação.
No outro dia, o motorista do Velho foi pontual, eu acabei me atrasando um pouco, ele não deu uma palavra durante a viagem, chegando lá, abriu a porta e nem olhou na minha cara. O Velho estava me esperando na porta. Me cumprimentou, ofereceu um café e me levou até a sala para me apresentar a sua esposa, não me disse seu nome nem o dela, somente me mostrou quem era, era uma mulher com uns 30 anos, cabelos batendo nos ombros e negros, usava um batom vermelho, tinha olhos pequenos como os do Velho, uma fala rouca, o rosto não era tão belo, mas o corpo era muito mais bonito do que o de muita garotinha de 20. Ela foi bem simpática comigo e me lembrou novamente de que se alguém perguntasse algo, eu era a sua massagista, nada a mais que isso, "só uma alma sensível pode compreender outra alma sensível" , ela dizia, bem não sei quem perdeu sensibilidade para eu achar, mas pouco me importava, eu estava adorando o ambiente, a situação, tudo.
Ela me mostrou um quarto onde eu ficaria, era enorme, com vários livros na instante, só escritores famosos, mas nenhum de literatura beat, a luz do quarto não era tão boa, era amarelada, parecia com as luzes do poste perto da minha casa, no centro da sala tinha um genérico do quadro Guernica do Picasso, tinha uma espécie de bar no fundo e todo tipo de bebida e também tinha charutos cubanos, ela pegou um acendeu e me deu, era ótimo, nunca tinha fumado coisa melhor na minha vida, eu que estava acostumada a fumar cigarro de palha era uma novidade e tanto.
- Já ouviu falar em "Cabaret du Chat Noir" ?
- Um um
-Era um ponto de encontro entre poetas, artistas e músicos, foi inaugurado por Rodolphe Salis.
- É.
- Ele foi influenciado por Allan Poe e Baudelaire. Amo Allan Poe, já ouviu falar?
- Não.
Ela percebeu que eu não entendia nada de nada e resolveu me mostrar o lugar que ía rolar os espancamentos. Era uma sala grande e com paredes pretas, ela me apontou uma mesa.
- Bem, aqui tem tudo o que você vai precisar, chicote, cinta, corda, navalha, navalha não sei, você sabe desenhar?
- Sim.
- Então navalha e estilete também vai.
- Tá ok.
- Não comente isso com ninguém.
- Entendo.
Depois me mostrou a cozinha e eu podia comer tudo que eu quisesse, realmente era o trabalho dos sonhos, ter tudo, só para bater em uma dondoca. Ela foi para o seu quarto e me deixou no meu, disse que quando precisasse me chamaria, eu estava completamente a vontade e bêbada, bebi um café forte para não amarelar na hora do trabalho. A Dama me chamou lá pras 16 da tarde, era visivel que ela estava transtornada.
- Por favor rápido, rápido.
Peguei o chicote e comecei a bater em suas costas.
- MAIS FORTE!
Bati com mais força.
- MAIS FOOOOORTE!
A chicoteei com toda a força que eu tinha no braço, sua blusa rasgou com sutiã e tudo na hora.
- Continua assim, continua.
A Dama se ajoelhou no chão nua e pediu que a chicoteasse mais, meu braço doía e o sangue corria toda a sala, ela gemia de prazer e de dor simultaneamente e sua frase ficava na minha cabeça " só uma alma sensível pode compreender outra alma sensível" , eu não entendia porque ela queria apanhar, mas não a achava louca, não a julgava. Ela estava no chão quase desmaiada.
- Tá ok, volte amanhã.
- A senhora quer ajuda?
- Não, vá embora!
- Tá bem.
Cheguei em casa morrendo de dor nos braços (imagine ela) e fumando um charuto cubano.
- Roubou aonde esse charuto, Loira?
Bernardo, meu vizinho que mora com mãe, me perguntou.
- Não roubei, dei o cu da sua mãe em troca.
- Olha como fala com a minha mãe.
- Olha como você fala comigo, seu babaca, senão o próximo cu vai ser o seu e você sabe que eu não tô brincando.
- Você tá me ameaçando?
- E costumo cumprir minhas ameaças.
- Vem aqui então?
- Eu não faço o serviço, eu tenha quem faça e esses você vai cagar nas calças só de ver.
Eu não tinha contato nenhum, mas é óbvio que eu era capaz de dar um jeito em um babaca que até pra amarrar o cadarço precisava da mãe, ele era pós doutorado em sei lá o que pela USP, mas era um idiota, fodido pela vida, não conseguia fazer nada sem a mãe.Nada. A Universidade abriga os maiores babacas do Brasil, a bagagem intelectual de um aluno padrão é tão oca que se você jogar na água flutua e muitos deles são alienados, ignorantes a ponto de achar que a Faculdade os torna inteligentes e que são fodões por estarem lá e tem orgulho disso, orgulho de que? Eu teria orgulho se o ensino fosse público e sempre acreditei que os Livros salvam e nem todos.
Voltei para o meu "trabalho" no outro dia, achei a boca da Dama um pouco maior, será que estava inchada? Mas enfim, eu não me lembro de ter batido na boca. O Velho estava com uma camisa social preta e com o seu chapéu, seu olhar baixo como se vigiasse tudo e todos, beijou a Dama e foi para o trabalho. Ela me olhou.
- Vamos para sala, hoje faremos diferente.
- Tá bem.
- Quero que faça um desenho nas minhas costas.
- Que desenho?
- Quero que faça um gato. Já usou estiletes?
- Tranquilo, eu sei como fazer.
Ela se despiu e ajoelhou de costas pra mim, mamãe de deus ela tinhas costas lindas, sentei no chão e comecei meu trabalho, ela só gemia, não se mexia.
- Faça com mais força, mais profundo.
- Qual o problema da senhora? Se for mais profundo, vai ter uma hemorragia.
- Quanto mais profundo o corte, mais a minha alma se alivia.
- É.
Ela ficou sangrando durante horas, peguei água, ataduras e pó de café pra amenizar o sangramento.
- Ei, eu não quero.
Ela virou- se para mim e observei que sua boca estava maior.
- Tá com a boca inchada?
-É meu novo batom! Estou uma coquete, não é?
- Ahãn.
Ela me pediu um beijo, beijei seu rosto.
- A boca, criança.
- É que eu não curto muito...
- Me dê o beijo.
Beijei-a .
Larguei as ataduras e tudo que estava nas minhas mãos e fui pra casa. A boca dela estava maior ou era coisa da minha cabeça? Não sei.
Estava subindo pro meu apartamento e encontro a mãe do Bernado.
- Você ameaçou meu filho, sua moleca!
- Relaxa, dona Marta, eu não vou fazer nada.
- E claro que não vai. EU não vou permitir, sua vadiazinha!
- Não foi minha intenção, Dona Marta, me perdoe.
- Meu filho não é da tua laia, meu menino nunca me deu trabalho, nunca reclama de nada, é bonito , é estudado, não como uns e outros que vivem se envolvendo com marginais.
- Dona Marta, você destruiu o seu filho e nem percebeu.
- Você nunca mais olhe para o Bernado, você tem é inveja dele.
- Verdade.
Dona Marta deu uns tapas nas minhas costas e continuou a me xingar, entrei pro meu apartamento e fechei a porta com tudo.
Quando cheguei na casa da Dama no outro dia, sua beiço estava batendo no chão.
- Que batom é esse? Tem silicone nessa porra?
-Olha a boca garota!
- Olha a boca a senhora, pelo amor de deus, dá um jeito nisso!
- Isso é totalmente normal, faça seu serviço que eu cuido do meu.
- Cuida do que? Desse beiço né?
Naquele dia chicotei ela, mas eu estava preocupada, a boca estava enorme e ela assustadora, enquanto eu batia, ela lambia seu sangue no chão e gemia, sua boca estava tão grande que depois tive que ajuda-lá a se sentar. Terminei meu serviço, ela me pagou bem e me deu algumas bebidas.
- Meu beijo, pequena.
Beijei-a e fiquei meio tonta depois do beijo, como se estivesse bêbada, me despedi e fui pra estação. Entrei no trem. Ao sair do trem estou de frente a uma escada rolante, devo subi-la, após subir a escada eu encontro um monte de pessoas em um corredor indo na mesma direção, é a onde devo ir, atravesso o portão magnético e chego no Metrô, passa duas estações e estou praticamente em casa, fiz meu trajeto não olhando pros outros, pra evitar novas alucinações e mais situações embaraçosas. O meu apartamento estava silencioso e Dona Marta discutia com Bernado porque ele chegou em casa 22:00 horas e estava na rua sem ela. Amor demais estraga. Entrei pro meu apartamento fechei a porta, tomei um banho, jantei e Dama não saia da minha cabeça, sua boca e seu beijo entorpecente.
Cheguei mais cedo que o normal na casa do Velho, a casa estava silenciosa mais que o habitual, não encontrei nenhum empregado que seja, fiquei vagando pela aquela casa enorme a procura de alguém e nada, seria uma situação agradável se aquela casa não fosse tão assustadora. Entro no quarto e encontro a Dama ajoelhada, nua no chão, perfeita, jesus, e ela ainda estava com a marca do desenho do gato que eu tinha feito com estilete, ela se virou e eu quase caí para trás, cristo do céu, a boca dela estava GIGANTESCA, jesus, era horrível!
- Me dê um beijo.
- Nem morta!
- Vem aqui, pequena!
- Olha aqui minha senhora, se afaste para o bem de todos.
- Hahaha
Ela continuo se aproximando e corri por todos cômodos da casa, mas era quase impossível fugir dela, era extremamente rápida, entrei no quarto e tranquei a porta e fiquei vendo uma forma de pular a janela ao mesmo tempo que Dama tentava arrombar a porta com seu beiço do tamanho de uma caçapa. A janela era muito alta, se eu pulasse provavelmente desmaiaria e seria presa fácil para ela. Dama arrombou a porta e estava com sua gigantesca boca completamente aberta vindo em minha direção, tentei correr, mas não tinha pra onde, ela me fechou, comecei a gritar sem parar, conseguia ver suas amídalas, seus dentes, restos do café da manha, restos de esperma, puta que pariu, o mundo dentro da boca daquela mulher. Ela me colocou em sua boca.
Dentro daquela boca tudo era escorregadio, fiquei cambaleando e me afastando dos dentes para não ser mastigada, peguei um pincel que tinha no meu bolso, (já que eu sempre pintava com as mãos sempre esquecia o pincel no bolso) comecei a fazer cócegas em seu céu da boca, aquela boca tinha gosto de vinho misturado com charuto cubano, esse luxo, todo esse luxo que sempre foi de poucos, sempre foi dos nobres, da elite pensante desse país, que merda! Até eu tenho mais estilo que boa parte da elite. Enquanto eu tentava fazer cócegas no céu da boca de Dama, ficava meio bêbada por causa do vinho, tentava evitar não beber, mas o cheiro era forte e eu estava molhada disso, da saliva dela misturada com sei lá o que. Enfim, Dama dá um espirro, só que por idiotice minha seguro no seu dente com medo de cair, foi mecânico, porra! Ao invés de sair voltei pro calabouço, o medo gera pessoas idiotas protegidas pela própria idiotice.
- Ei baby, me tire daqui! Conheço pessoas mais gostosas.
Nada, ela nem respondia, se respondesse eu sairia da boca dela, ela tinha que se segurar, eu estava com medo, não da morte, mas da forma como ela ia acontecer, peguei o pincel e voltei novamente a fazer cócegas no céu da boca de Dama, meus braços estavam doendo e nada, meus 20 de anos de girl, that's over, baby. Eu estava bêbada dentro daquela boca enorme que se recusava a falar, gritar, espernear, gemer, se recusava a tudo, peguei o pincel e dei uma cutucada com toda minha força e eu acabei indo pra trás (não me pergunte como) e fiquei por um fio segurando suas amídalas, a essa hora eu já estava puta da vida e pretendia sair nem que para isso eu cortasse aquela boca, voltei pra língua, ela lambeu o meu corpo todo,a língua dela era quente e o gosto de vinho estava mais forte, era uma delícia, eu já estava permitindo ser degustada, mas eu não podia deixar me vencer assim, poxa, sou tão fraca a esse ponto? Me levantei bêbada e excitada e cutuquei com mais força o céu da boca, ela espirrou e me espirrou todo suja de baba da deusa da boca grande. Corri como nunca tinha corrido na vida, saí pelo portão e eu ainda a via vindo atrás de mim, furiosa, babando e com um pedaço da minha camisa na boca. Ela estava com fome de vida, eu não podia mudar isso.
Voltei pro meu apartamento seguindo o mesmo trajeto de sempre metrô- trem, evitando olhar pra todos pra não gerar problemas e tentei me manter afastadapor causa do meu cheiro de vinho misturado com charuto. Voltei pra casa, tomei banho e dormi, permaneci calada o dia todo e isso seguiu por alguns dias.
Depois de algumas semanas, resolvo sair de casa para comprar algumas coisas e ver a paisagem, vejo Dama e o Velho no supermercado, a boca dela estava normal, ela se aproxima de mim, tremo.
- Querida, porque você saiu de casa correndo daquele jeito?
- Oi? A senhora queria me comer, lembra?
- Hahaha, está ouvindo isso querido, não falei que ela saiu correndo e não parava de repetir que conhecia pessoas mais gostosas?
- Quando contratei você pensei que fosse normal.
- Se fosse normal não aceitaria o serviço. A boca da sua mulher estava enorme.Queria que eu fizesse o que?
- Sim, eu concordo que minha mulher tem lábios carnudos, mas não capaz de engolir um ser humano.
- Querida, o que está falando? Tem trauma de bocas grandes?
- Você tentou me comer!
- Você deveria procurar um tratamento rápido.
- Eu deveria é pegar a boca da sua mulher e enfiar no seu cu até ele fazer bico..
- O que disse?
- Nada.
Dama me olhava como se não entendesse nada, como se eu realmente tivesse do nada saído correndo de sua casa e gritando, céus, seria mais uma alucinação? Eles riam como se me achassem absurda, depois de alguns minutos eu estava certa que foi mais uma alucinação, perdi o emprego do sonho por causa da loucura, caralho, de fato não ia existir uma boca gigante aí tentando me comer, o mundo já tinha me mastigado, eu com Dama e o Velho e o escambau todos dentro de uma boca gigante. Voltei pro meu apartamento com duas garrafas de uísque e umas batatinhas, fechei a porta e decidi evitar sair por um tempo, bebi e dormi como há anos não dormia.
Passado dois meses, eu estava melhor, estava fazendo um tratamento com um psicologo e tudo para melhorar meus problemas de convivência e minhas alucinações, comprei alguns cigarros e bebidas e voltei pra casa, chegando lá coloco-os na mesa e vou fechar a porta quando encontro Dama com sua boca grande na porta do meu apartamento.
- Puta merda, alucinação de novo!
- Nossa sociedade está imersa num magnetismo que transborda alucinação, caçando vampiros que não necessitam de sangue. Já ouviu essa frase?
- Não.
-Victor Canti.
- Hum.
- Eu tenho uma certa tara por você. Gosto de pessoas mais jovens do que eu.
- Nem tinha percebido.
- Você enxerga coisas que os outros não veem.
- A maior alucinação é a cegueira.
- O meu masoquismo aumentou de grau, agora eu sou sado.
- Lindo! Mas, procure outra pessoa pra você comer, porque a minha carne já apodreceu.
- A de todo mundo apodreceu.
- Generalizar é errar, doidona, procura que cê acha.
- Eu já achei.
Ela começou a lamber meus cabelos, meus olhos, meu nariz, minha boca, eu estava completamente ensopada daquela saliva e era deliciosa, tinha gosto de vinho bom, aqueles vinhos caros que eu só tomava quando estava na aba de algum rico, ela me pegou no colo, lambeu meu corpo, tentei sair fora.
- Meu, pará com isso! Saía daqui!
- Todo mundo é caça e caçador.
- Nem todo mundo, eu por exemplo sou caça.
- Mas, já foi caçadora.
- Já fui a puta que ti pariu, agora some daqui.
- Mas, você quer.
- Eu quero que você saia.
- Você evita tudo o que sente?
- Só os sentimentos que me levam a morte.
- Todos sentimentos importantes de serem sentidos levam a morte.
- Sou eterna, fora daqui!
A velha lambeu meu corpo novamente, sua língua era enorme e ela insana, com olhos maníacos com um brilho lindo do inferno, me permiti ser engolida, era impossível de resistir, eu me sentia presa em um filme noir, desejei um mundo com pessoas sem boca, onde o silêncio ia ser o império, pra que as pessoas queriam boca? Pra comer umas as outras, aprenderam a falar pra fofocar, eu não tenho dúvida disso, a cada dez minutos de um diálogo uma pessoa fala mal de algo ou alguém, já existia maldade de mais no mundo e a boca sempre estava no meio. A Dama me cuspiu, disse que eu não tinha o gosto que ela queria, só porque me permiti ser engolida, ela queria o que não era permitido, o fruto proibido, o que não devia querer, o que não devia fazer, o que tinha limites, era uma lunática, teve tudo e queria algo que não estivesse aos seus pés e que não queria estar dentro da sua boca, talvez um dia achasse isso e sofreria com o desprezo, mas ela é da turminha do masoquismo, então normal em relação a isso.
- Sim.
- Você prestará assistências a minha esposa.
- Que tipo de assistência?
- Todas necessárias.
- Huum.
- Minha mulher tem uns gostos, huuum, digamos, excêntricos, entende?
- Não.
- Ela gosta de coisas diferentes.
- Como o que?
- Coisas que para as outras pessoas é um pouco estranho.
- Mulheres?
- Não.
- Olha, eu preferia que o senhor fosse direto ao ponto.
- Minha mulher é masoquista.
- Sei.
- Você vai ter que fazer as vontades dela, ela gosta de ser agredida de várias formas diferentes.
- O senhor quer me contratar para bater em sua mulher?
- Sim
- Porque o senhor mesmo não faz isso?
- Eu sou profundamente condoído.
- Uhum.
O Velho não me disse seu nome, nem o de sua esposa, ele me levaria para sua casa e disse que tudo estaria a minha disposição, alimentação, livros, pintura, tudo ao meu acesso, a única coisa que teria que fazer era agredir a Dama quando a mesma quisesse, ele me deu uma grana pra voltar pra casa e falou que no outro dia ás oito horas, seu motorista estaria na porta do meu apartamento pra me buscar e levar ao meu local de trabalho. Me despedi do Velho e saí, sua sala era tão escura, apenas com um abajur amarelo na mesa, que quando saí meus olhos ardiam. Fui pra estação que estava quase vazia, entrei no trem, um homem de bigode começa a me olhar, ele parece suspeito, mal encarado, saca aquelas pessoas que você olha e sente algo diferente no ar, maldade, passado sujo, fosse o que fosse, ele tinha, ele tinha algo, eu podia sentir o cheiro disso, cheiro de merda e de putaria, começo a suar e a sentir ódio misturado com temor e o homem não para de me olhar, tento disfarçar e não consigo, parece que ninguém no trem percebe isso, percebe que temos um maníaco dentro do trem, ninguém percebe o horror porque estão acostumados com o horror, todos presos dentro daquela ambiente com luzes amarelas e aquele cheiro de guarda chuva, não se olham, não se conhecem, apenas pegam suas conduções todos os dias, para trabalhar, estudar, sair, sem prazer nem um nisso, com a depressão quase pulando dos seus olhos, carregando dia a dia seu próprio cadáver com total consciência disso, é terrível de olhar, é terrível de viver. O que me incomoda não é levantar todos os dias cedo e passar o dia trabalhando, o que mais me incomoda é o jeito que as pessoas se olham nas estações de trem, nos restaurantes, é o jeito que olham para si e para os outros.
O homem de bigode começa a me encarar, tinha uma mala no colo dele, começo a desconfiar que ele é um maníaco tarado e imagino ele estuprando várias mulheres, fico aterrorizada dentro do metro, tem uma mulher do meu lado com uma garrafa quente de café comentou comigo que está indo a um velório, pergunto pra ela se ela quer que eu segure a garrafa porque a mesma estava com milhares de sacola, ela permite. Fico brincando com a garrafa e o homem de bigode continua a me encarar me levanto arranco sua bolsa com tudo e derramo o café fervendo em suas calças.
- Meu Deus, você está louca?
- Seu maníaco tarado, você está de putaria aí, não é?
- O que? Eu ti conheço?
- Desgraçado! Já estuprou alguém hoje?
- Você é maluca?
- Maluca é a puta que ti pariu, fora daqui agora, seu tarado desgraçado, você devia tá na cadeia! O que tem na porra da mala?
- Nada que ti importe!
- Claro que me importa, abre essa porra agora!
- Eu não vou abrir nada!
- Seu filho da puta! Desgraçado!
Peguei meu canivete, eu estava furiosa, ia abrir a mala a força, quando uma menininha de uns 6 anos, me segurou pelo braço.
- Não faça isso com o papai!
- Que?
- Por favor moça, deixa o papai em paz, ele não fez nada com ninguém, por favor.
O cara abriu a mala, tinha uma boneca.
- Hoje é aniversário da minha filha e eu tinha lhe preparado uma surpresa. Satisfeita?
Eu desejei que o trem partisse ao meio naquele momento e eu caísse, céus, eu estava louca, tinha voltado a ver coisas e imaginar coisas, me desculpei totalmente sem jeito e saí na próxima estação.
No outro dia, o motorista do Velho foi pontual, eu acabei me atrasando um pouco, ele não deu uma palavra durante a viagem, chegando lá, abriu a porta e nem olhou na minha cara. O Velho estava me esperando na porta. Me cumprimentou, ofereceu um café e me levou até a sala para me apresentar a sua esposa, não me disse seu nome nem o dela, somente me mostrou quem era, era uma mulher com uns 30 anos, cabelos batendo nos ombros e negros, usava um batom vermelho, tinha olhos pequenos como os do Velho, uma fala rouca, o rosto não era tão belo, mas o corpo era muito mais bonito do que o de muita garotinha de 20. Ela foi bem simpática comigo e me lembrou novamente de que se alguém perguntasse algo, eu era a sua massagista, nada a mais que isso, "só uma alma sensível pode compreender outra alma sensível" , ela dizia, bem não sei quem perdeu sensibilidade para eu achar, mas pouco me importava, eu estava adorando o ambiente, a situação, tudo.
Ela me mostrou um quarto onde eu ficaria, era enorme, com vários livros na instante, só escritores famosos, mas nenhum de literatura beat, a luz do quarto não era tão boa, era amarelada, parecia com as luzes do poste perto da minha casa, no centro da sala tinha um genérico do quadro Guernica do Picasso, tinha uma espécie de bar no fundo e todo tipo de bebida e também tinha charutos cubanos, ela pegou um acendeu e me deu, era ótimo, nunca tinha fumado coisa melhor na minha vida, eu que estava acostumada a fumar cigarro de palha era uma novidade e tanto.
- Já ouviu falar em "Cabaret du Chat Noir" ?
- Um um
-Era um ponto de encontro entre poetas, artistas e músicos, foi inaugurado por Rodolphe Salis.
- É.
- Ele foi influenciado por Allan Poe e Baudelaire. Amo Allan Poe, já ouviu falar?
- Não.
Ela percebeu que eu não entendia nada de nada e resolveu me mostrar o lugar que ía rolar os espancamentos. Era uma sala grande e com paredes pretas, ela me apontou uma mesa.
- Bem, aqui tem tudo o que você vai precisar, chicote, cinta, corda, navalha, navalha não sei, você sabe desenhar?
- Sim.
- Então navalha e estilete também vai.
- Tá ok.
- Não comente isso com ninguém.
- Entendo.
Depois me mostrou a cozinha e eu podia comer tudo que eu quisesse, realmente era o trabalho dos sonhos, ter tudo, só para bater em uma dondoca. Ela foi para o seu quarto e me deixou no meu, disse que quando precisasse me chamaria, eu estava completamente a vontade e bêbada, bebi um café forte para não amarelar na hora do trabalho. A Dama me chamou lá pras 16 da tarde, era visivel que ela estava transtornada.
- Por favor rápido, rápido.
Peguei o chicote e comecei a bater em suas costas.
- MAIS FORTE!
Bati com mais força.
- MAIS FOOOOORTE!
A chicoteei com toda a força que eu tinha no braço, sua blusa rasgou com sutiã e tudo na hora.
- Continua assim, continua.
A Dama se ajoelhou no chão nua e pediu que a chicoteasse mais, meu braço doía e o sangue corria toda a sala, ela gemia de prazer e de dor simultaneamente e sua frase ficava na minha cabeça " só uma alma sensível pode compreender outra alma sensível" , eu não entendia porque ela queria apanhar, mas não a achava louca, não a julgava. Ela estava no chão quase desmaiada.
- Tá ok, volte amanhã.
- A senhora quer ajuda?
- Não, vá embora!
- Tá bem.
Cheguei em casa morrendo de dor nos braços (imagine ela) e fumando um charuto cubano.
- Roubou aonde esse charuto, Loira?
Bernardo, meu vizinho que mora com mãe, me perguntou.
- Não roubei, dei o cu da sua mãe em troca.
- Olha como fala com a minha mãe.
- Olha como você fala comigo, seu babaca, senão o próximo cu vai ser o seu e você sabe que eu não tô brincando.
- Você tá me ameaçando?
- E costumo cumprir minhas ameaças.
- Vem aqui então?
- Eu não faço o serviço, eu tenha quem faça e esses você vai cagar nas calças só de ver.
Eu não tinha contato nenhum, mas é óbvio que eu era capaz de dar um jeito em um babaca que até pra amarrar o cadarço precisava da mãe, ele era pós doutorado em sei lá o que pela USP, mas era um idiota, fodido pela vida, não conseguia fazer nada sem a mãe.Nada. A Universidade abriga os maiores babacas do Brasil, a bagagem intelectual de um aluno padrão é tão oca que se você jogar na água flutua e muitos deles são alienados, ignorantes a ponto de achar que a Faculdade os torna inteligentes e que são fodões por estarem lá e tem orgulho disso, orgulho de que? Eu teria orgulho se o ensino fosse público e sempre acreditei que os Livros salvam e nem todos.
Voltei para o meu "trabalho" no outro dia, achei a boca da Dama um pouco maior, será que estava inchada? Mas enfim, eu não me lembro de ter batido na boca. O Velho estava com uma camisa social preta e com o seu chapéu, seu olhar baixo como se vigiasse tudo e todos, beijou a Dama e foi para o trabalho. Ela me olhou.
- Vamos para sala, hoje faremos diferente.
- Tá bem.
- Quero que faça um desenho nas minhas costas.
- Que desenho?
- Quero que faça um gato. Já usou estiletes?
- Tranquilo, eu sei como fazer.
Ela se despiu e ajoelhou de costas pra mim, mamãe de deus ela tinhas costas lindas, sentei no chão e comecei meu trabalho, ela só gemia, não se mexia.
- Faça com mais força, mais profundo.
- Qual o problema da senhora? Se for mais profundo, vai ter uma hemorragia.
- Quanto mais profundo o corte, mais a minha alma se alivia.
- É.
Ela ficou sangrando durante horas, peguei água, ataduras e pó de café pra amenizar o sangramento.
- Ei, eu não quero.
Ela virou- se para mim e observei que sua boca estava maior.
- Tá com a boca inchada?
-É meu novo batom! Estou uma coquete, não é?
- Ahãn.
Ela me pediu um beijo, beijei seu rosto.
- A boca, criança.
- É que eu não curto muito...
- Me dê o beijo.
Beijei-a .
Larguei as ataduras e tudo que estava nas minhas mãos e fui pra casa. A boca dela estava maior ou era coisa da minha cabeça? Não sei.
Estava subindo pro meu apartamento e encontro a mãe do Bernado.
- Você ameaçou meu filho, sua moleca!
- Relaxa, dona Marta, eu não vou fazer nada.
- E claro que não vai. EU não vou permitir, sua vadiazinha!
- Não foi minha intenção, Dona Marta, me perdoe.
- Meu filho não é da tua laia, meu menino nunca me deu trabalho, nunca reclama de nada, é bonito , é estudado, não como uns e outros que vivem se envolvendo com marginais.
- Dona Marta, você destruiu o seu filho e nem percebeu.
- Você nunca mais olhe para o Bernado, você tem é inveja dele.
- Verdade.
Dona Marta deu uns tapas nas minhas costas e continuou a me xingar, entrei pro meu apartamento e fechei a porta com tudo.
Quando cheguei na casa da Dama no outro dia, sua beiço estava batendo no chão.
- Que batom é esse? Tem silicone nessa porra?
-Olha a boca garota!
- Olha a boca a senhora, pelo amor de deus, dá um jeito nisso!
- Isso é totalmente normal, faça seu serviço que eu cuido do meu.
- Cuida do que? Desse beiço né?
Naquele dia chicotei ela, mas eu estava preocupada, a boca estava enorme e ela assustadora, enquanto eu batia, ela lambia seu sangue no chão e gemia, sua boca estava tão grande que depois tive que ajuda-lá a se sentar. Terminei meu serviço, ela me pagou bem e me deu algumas bebidas.
- Meu beijo, pequena.
Beijei-a e fiquei meio tonta depois do beijo, como se estivesse bêbada, me despedi e fui pra estação. Entrei no trem. Ao sair do trem estou de frente a uma escada rolante, devo subi-la, após subir a escada eu encontro um monte de pessoas em um corredor indo na mesma direção, é a onde devo ir, atravesso o portão magnético e chego no Metrô, passa duas estações e estou praticamente em casa, fiz meu trajeto não olhando pros outros, pra evitar novas alucinações e mais situações embaraçosas. O meu apartamento estava silencioso e Dona Marta discutia com Bernado porque ele chegou em casa 22:00 horas e estava na rua sem ela. Amor demais estraga. Entrei pro meu apartamento fechei a porta, tomei um banho, jantei e Dama não saia da minha cabeça, sua boca e seu beijo entorpecente.
Cheguei mais cedo que o normal na casa do Velho, a casa estava silenciosa mais que o habitual, não encontrei nenhum empregado que seja, fiquei vagando pela aquela casa enorme a procura de alguém e nada, seria uma situação agradável se aquela casa não fosse tão assustadora. Entro no quarto e encontro a Dama ajoelhada, nua no chão, perfeita, jesus, e ela ainda estava com a marca do desenho do gato que eu tinha feito com estilete, ela se virou e eu quase caí para trás, cristo do céu, a boca dela estava GIGANTESCA, jesus, era horrível!
- Me dê um beijo.
- Nem morta!
- Vem aqui, pequena!
- Olha aqui minha senhora, se afaste para o bem de todos.
- Hahaha
Ela continuo se aproximando e corri por todos cômodos da casa, mas era quase impossível fugir dela, era extremamente rápida, entrei no quarto e tranquei a porta e fiquei vendo uma forma de pular a janela ao mesmo tempo que Dama tentava arrombar a porta com seu beiço do tamanho de uma caçapa. A janela era muito alta, se eu pulasse provavelmente desmaiaria e seria presa fácil para ela. Dama arrombou a porta e estava com sua gigantesca boca completamente aberta vindo em minha direção, tentei correr, mas não tinha pra onde, ela me fechou, comecei a gritar sem parar, conseguia ver suas amídalas, seus dentes, restos do café da manha, restos de esperma, puta que pariu, o mundo dentro da boca daquela mulher. Ela me colocou em sua boca.
Dentro daquela boca tudo era escorregadio, fiquei cambaleando e me afastando dos dentes para não ser mastigada, peguei um pincel que tinha no meu bolso, (já que eu sempre pintava com as mãos sempre esquecia o pincel no bolso) comecei a fazer cócegas em seu céu da boca, aquela boca tinha gosto de vinho misturado com charuto cubano, esse luxo, todo esse luxo que sempre foi de poucos, sempre foi dos nobres, da elite pensante desse país, que merda! Até eu tenho mais estilo que boa parte da elite. Enquanto eu tentava fazer cócegas no céu da boca de Dama, ficava meio bêbada por causa do vinho, tentava evitar não beber, mas o cheiro era forte e eu estava molhada disso, da saliva dela misturada com sei lá o que. Enfim, Dama dá um espirro, só que por idiotice minha seguro no seu dente com medo de cair, foi mecânico, porra! Ao invés de sair voltei pro calabouço, o medo gera pessoas idiotas protegidas pela própria idiotice.
- Ei baby, me tire daqui! Conheço pessoas mais gostosas.
Nada, ela nem respondia, se respondesse eu sairia da boca dela, ela tinha que se segurar, eu estava com medo, não da morte, mas da forma como ela ia acontecer, peguei o pincel e voltei novamente a fazer cócegas no céu da boca de Dama, meus braços estavam doendo e nada, meus 20 de anos de girl, that's over, baby. Eu estava bêbada dentro daquela boca enorme que se recusava a falar, gritar, espernear, gemer, se recusava a tudo, peguei o pincel e dei uma cutucada com toda minha força e eu acabei indo pra trás (não me pergunte como) e fiquei por um fio segurando suas amídalas, a essa hora eu já estava puta da vida e pretendia sair nem que para isso eu cortasse aquela boca, voltei pra língua, ela lambeu o meu corpo todo,a língua dela era quente e o gosto de vinho estava mais forte, era uma delícia, eu já estava permitindo ser degustada, mas eu não podia deixar me vencer assim, poxa, sou tão fraca a esse ponto? Me levantei bêbada e excitada e cutuquei com mais força o céu da boca, ela espirrou e me espirrou todo suja de baba da deusa da boca grande. Corri como nunca tinha corrido na vida, saí pelo portão e eu ainda a via vindo atrás de mim, furiosa, babando e com um pedaço da minha camisa na boca. Ela estava com fome de vida, eu não podia mudar isso.
Voltei pro meu apartamento seguindo o mesmo trajeto de sempre metrô- trem, evitando olhar pra todos pra não gerar problemas e tentei me manter afastadapor causa do meu cheiro de vinho misturado com charuto. Voltei pra casa, tomei banho e dormi, permaneci calada o dia todo e isso seguiu por alguns dias.
Depois de algumas semanas, resolvo sair de casa para comprar algumas coisas e ver a paisagem, vejo Dama e o Velho no supermercado, a boca dela estava normal, ela se aproxima de mim, tremo.
- Querida, porque você saiu de casa correndo daquele jeito?
- Oi? A senhora queria me comer, lembra?
- Hahaha, está ouvindo isso querido, não falei que ela saiu correndo e não parava de repetir que conhecia pessoas mais gostosas?
- Quando contratei você pensei que fosse normal.
- Se fosse normal não aceitaria o serviço. A boca da sua mulher estava enorme.Queria que eu fizesse o que?
- Sim, eu concordo que minha mulher tem lábios carnudos, mas não capaz de engolir um ser humano.
- Querida, o que está falando? Tem trauma de bocas grandes?
- Você tentou me comer!
- Você deveria procurar um tratamento rápido.
- Eu deveria é pegar a boca da sua mulher e enfiar no seu cu até ele fazer bico..
- O que disse?
- Nada.
Dama me olhava como se não entendesse nada, como se eu realmente tivesse do nada saído correndo de sua casa e gritando, céus, seria mais uma alucinação? Eles riam como se me achassem absurda, depois de alguns minutos eu estava certa que foi mais uma alucinação, perdi o emprego do sonho por causa da loucura, caralho, de fato não ia existir uma boca gigante aí tentando me comer, o mundo já tinha me mastigado, eu com Dama e o Velho e o escambau todos dentro de uma boca gigante. Voltei pro meu apartamento com duas garrafas de uísque e umas batatinhas, fechei a porta e decidi evitar sair por um tempo, bebi e dormi como há anos não dormia.
Passado dois meses, eu estava melhor, estava fazendo um tratamento com um psicologo e tudo para melhorar meus problemas de convivência e minhas alucinações, comprei alguns cigarros e bebidas e voltei pra casa, chegando lá coloco-os na mesa e vou fechar a porta quando encontro Dama com sua boca grande na porta do meu apartamento.
- Puta merda, alucinação de novo!
- Nossa sociedade está imersa num magnetismo que transborda alucinação, caçando vampiros que não necessitam de sangue. Já ouviu essa frase?
- Não.
-Victor Canti.
- Hum.
- Eu tenho uma certa tara por você. Gosto de pessoas mais jovens do que eu.
- Nem tinha percebido.
- Você enxerga coisas que os outros não veem.
- A maior alucinação é a cegueira.
- O meu masoquismo aumentou de grau, agora eu sou sado.
- Lindo! Mas, procure outra pessoa pra você comer, porque a minha carne já apodreceu.
- A de todo mundo apodreceu.
- Generalizar é errar, doidona, procura que cê acha.
- Eu já achei.
Ela começou a lamber meus cabelos, meus olhos, meu nariz, minha boca, eu estava completamente ensopada daquela saliva e era deliciosa, tinha gosto de vinho bom, aqueles vinhos caros que eu só tomava quando estava na aba de algum rico, ela me pegou no colo, lambeu meu corpo, tentei sair fora.
- Meu, pará com isso! Saía daqui!
- Todo mundo é caça e caçador.
- Nem todo mundo, eu por exemplo sou caça.
- Mas, já foi caçadora.
- Já fui a puta que ti pariu, agora some daqui.
- Mas, você quer.
- Eu quero que você saia.
- Você evita tudo o que sente?
- Só os sentimentos que me levam a morte.
- Todos sentimentos importantes de serem sentidos levam a morte.
- Sou eterna, fora daqui!
A velha lambeu meu corpo novamente, sua língua era enorme e ela insana, com olhos maníacos com um brilho lindo do inferno, me permiti ser engolida, era impossível de resistir, eu me sentia presa em um filme noir, desejei um mundo com pessoas sem boca, onde o silêncio ia ser o império, pra que as pessoas queriam boca? Pra comer umas as outras, aprenderam a falar pra fofocar, eu não tenho dúvida disso, a cada dez minutos de um diálogo uma pessoa fala mal de algo ou alguém, já existia maldade de mais no mundo e a boca sempre estava no meio. A Dama me cuspiu, disse que eu não tinha o gosto que ela queria, só porque me permiti ser engolida, ela queria o que não era permitido, o fruto proibido, o que não devia querer, o que não devia fazer, o que tinha limites, era uma lunática, teve tudo e queria algo que não estivesse aos seus pés e que não queria estar dentro da sua boca, talvez um dia achasse isso e sofreria com o desprezo, mas ela é da turminha do masoquismo, então normal em relação a isso.
19 de maio de 2012
leão.
um traço laranja encontra um traço rosa
e feri o céu.
o labor
teu casaco no rosto
impede que o fogo se propague, quando deveria.
o imperialismo em pele de cordeiro
cantando no seu ouvido
canções antigas de amores falidos.
a jornada sempre exigiu tão menos
e todos se dão ao máximo,
enquanto placas tectônicas fazem sua copulação
exercendo pressão umas nas outras,
elas não se importam se você gosta ou não.
simplesmente se encostam uma na outra e trabalham
elas agem, somente.
o mundo inteiro está parado enquanto corre
e você senta e pará.
a vida rugindo dentro de você.
rugindo
rugindo
rugindo
o imperialismo em pele de cordeiro
come as pessoas que pensam que correm.
e você pará e rugi.
você nunca foi presa,
ninguém nunca foi presa.
o erro é pensar que é.
e feri o céu.
o labor
teu casaco no rosto
impede que o fogo se propague, quando deveria.
o imperialismo em pele de cordeiro
cantando no seu ouvido
canções antigas de amores falidos.
a jornada sempre exigiu tão menos
e todos se dão ao máximo,
enquanto placas tectônicas fazem sua copulação
exercendo pressão umas nas outras,
elas não se importam se você gosta ou não.
simplesmente se encostam uma na outra e trabalham
elas agem, somente.
o mundo inteiro está parado enquanto corre
e você senta e pará.
a vida rugindo dentro de você.
rugindo
rugindo
rugindo
o imperialismo em pele de cordeiro
come as pessoas que pensam que correm.
e você pará e rugi.
você nunca foi presa,
ninguém nunca foi presa.
o erro é pensar que é.
13 de maio de 2012
Em cacos
Em cacos 17:00 da tarde.
Se arrasta para dentro e fora da sua alma.
E sua vizinha quebra pratos contra sua parede.
Ao mesmo tempo que o telefone toca
ao mesmo tempo que teu amigo mente
ao mesmo tempo que as bolsas caem e sobem
ao mesmo tempo que homens bombas ameaçam o mundo
ao mesmo tempo que meninas desfilam suas panças de cerveja
de fora coberta um terço pela camisa do Beatles
ao mesmo tempo que teu colega diz que vivemos no melhor sistema
ao mesmo tempo que um mendigo é espancado por ser mendigo
ao mesmo tempo que o amor é envenenado
ao mesmo tempo que você vomita
ao mesmo tempo que teu trabalho ti usa sem controle
ao mesmo tempo que jovens tentam derrubar governos que não são capazes de reconstruir
ao mesmo tempo que o mundo é incendiado
ao mesmo tempo que feminismo beira o sexismo
ao mesmo tempo que cadeirantes estão fodidos em ônibus lotados
ao mesmo tempo que o prefeito chega de helicóptero
ao mesmo tempo que os objetos de camelos são jogados no camburão na sua frente
ao mesmo tempo que eles choram
ao mesmo tempo que um boliviano é comprado por R$ 2,52 no centro de São Paulo
ao mesmo tempo que eles falam a mesma coisa
ao mesmo tempo que ti assassinam e você não move um dedo para impedir isso
ao mesmo tempo que os EUA fica calado sobre o míssil indiano
ao mesmo tempo que falam de revolução e amor quando não sente ambos
ao mesmo tempo que está podre por dentro e desconta por fora
ao mesmo tempo que rockeiros fanáticos discutem rock e funk e engradece
tanto o ritmo deles que parece ser mais puras que letras gospel.
ao mesmo tempo que os EUA caga.
ao mesmo tempo que ti cobram atenção
ao mesmo tempo que você não pode dar o que não tem
ao mesmo tempo que aumentam 62% o salário de políticos
ao mesmo tempo que acontece a parada gay e a marcha pra jesus
ao mesmo tempo que confundem os inimigos
ao mesmo tempo que você tenta matar uma mosca
ao mesmo tempo que ti tornam assexual
ao mesmo tempo que sente nojo
ao mesmo tempo que alunos superdotados vão pra Harvard
ao mesmo tempo que o cara leva o gás em um carrinho de mão
ao mesmo tempo que abrem o capô do carro na porta da tua casa e o som estremece a rua
ao mesmo tempo que não faz diferença nenhuma
ao mesmo tempo o corpo do empresário é lançado do nono andar
ao mesmo tempo que a maluca que você arrumou faz yoga e depois ti coloca pra lamber seus pés ( e outras coisas)
ao mesmo tempo que a nova classe média morre em hospitais sujos e superlotados
ao mesmo tempo que a Cracolândia deixa suas pedras no meio do caminho
ao mesmo tempo que ti tornam louco
depressivo
retardado
doente
apático
horrível
CEGO
ao mesmo tempo que uma menina é estuprada atrás da tua casa
ao mesmo tempo que a sirene da polícia toca seu jazz atrás do meliante.
Você deveria prestar assistência, mas está...
Em cacos ás 17:48 da tarde
e você pensa sobre sua alma,
violência,
horror,
socos,
canivetes,
sangramentos,
armas de fogo,
insanidade,
corpos jogados em todos os lados,
banheiros,
problemas cardíacos,
osteoporose,
cegueira,
velhice,
fraudas geriátricas,
asilo,
penicos,
indiferença,
suicídio,
em velhos calvos caminhando de shortinho e regata na calçada,
em belas moças de bundas grandes e bocas vermelhas perguntando
se você tem fogo na estação de trem.
Em cacos ás 18: 15 da tarde.
Você procura o último pedaço que faltava
e levanta.
Liga o som e permite que Silver Voice
esprema órgãos sexuais em uma calça apertada.
Você abre a geladeira.Pensa.
Pega a cerveja e bebi sentado na calçada.
18:49 da tarde.
O mundo em cacos e você rachado. Ao meio.
Se arrasta para dentro e fora da sua alma.
E sua vizinha quebra pratos contra sua parede.
Ao mesmo tempo que o telefone toca
ao mesmo tempo que teu amigo mente
ao mesmo tempo que as bolsas caem e sobem
ao mesmo tempo que homens bombas ameaçam o mundo
ao mesmo tempo que meninas desfilam suas panças de cerveja
de fora coberta um terço pela camisa do Beatles
ao mesmo tempo que teu colega diz que vivemos no melhor sistema
ao mesmo tempo que um mendigo é espancado por ser mendigo
ao mesmo tempo que o amor é envenenado
ao mesmo tempo que você vomita
ao mesmo tempo que teu trabalho ti usa sem controle
ao mesmo tempo que jovens tentam derrubar governos que não são capazes de reconstruir
ao mesmo tempo que o mundo é incendiado
ao mesmo tempo que feminismo beira o sexismo
ao mesmo tempo que cadeirantes estão fodidos em ônibus lotados
ao mesmo tempo que o prefeito chega de helicóptero
ao mesmo tempo que os objetos de camelos são jogados no camburão na sua frente
ao mesmo tempo que eles choram
ao mesmo tempo que um boliviano é comprado por R$ 2,52 no centro de São Paulo
ao mesmo tempo que eles falam a mesma coisa
ao mesmo tempo que ti assassinam e você não move um dedo para impedir isso
ao mesmo tempo que os EUA fica calado sobre o míssil indiano
ao mesmo tempo que falam de revolução e amor quando não sente ambos
ao mesmo tempo que está podre por dentro e desconta por fora
ao mesmo tempo que rockeiros fanáticos discutem rock e funk e engradece
tanto o ritmo deles que parece ser mais puras que letras gospel.
ao mesmo tempo que os EUA caga.
ao mesmo tempo que ti cobram atenção
ao mesmo tempo que você não pode dar o que não tem
ao mesmo tempo que aumentam 62% o salário de políticos
ao mesmo tempo que acontece a parada gay e a marcha pra jesus
ao mesmo tempo que confundem os inimigos
ao mesmo tempo que você tenta matar uma mosca
ao mesmo tempo que ti tornam assexual
ao mesmo tempo que sente nojo
ao mesmo tempo que alunos superdotados vão pra Harvard
ao mesmo tempo que o cara leva o gás em um carrinho de mão
ao mesmo tempo que abrem o capô do carro na porta da tua casa e o som estremece a rua
ao mesmo tempo que não faz diferença nenhuma
ao mesmo tempo o corpo do empresário é lançado do nono andar
ao mesmo tempo que a maluca que você arrumou faz yoga e depois ti coloca pra lamber seus pés ( e outras coisas)
ao mesmo tempo que a nova classe média morre em hospitais sujos e superlotados
ao mesmo tempo que a Cracolândia deixa suas pedras no meio do caminho
ao mesmo tempo que ti tornam louco
depressivo
retardado
doente
apático
horrível
CEGO
ao mesmo tempo que uma menina é estuprada atrás da tua casa
ao mesmo tempo que a sirene da polícia toca seu jazz atrás do meliante.
Você deveria prestar assistência, mas está...
Em cacos ás 17:48 da tarde
e você pensa sobre sua alma,
violência,
horror,
socos,
canivetes,
sangramentos,
armas de fogo,
insanidade,
corpos jogados em todos os lados,
banheiros,
problemas cardíacos,
osteoporose,
cegueira,
velhice,
fraudas geriátricas,
asilo,
penicos,
indiferença,
suicídio,
em velhos calvos caminhando de shortinho e regata na calçada,
em belas moças de bundas grandes e bocas vermelhas perguntando
se você tem fogo na estação de trem.
Em cacos ás 18: 15 da tarde.
Você procura o último pedaço que faltava
e levanta.
Liga o som e permite que Silver Voice
esprema órgãos sexuais em uma calça apertada.
Você abre a geladeira.Pensa.
Pega a cerveja e bebi sentado na calçada.
18:49 da tarde.
O mundo em cacos e você rachado. Ao meio.
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9 de maio de 2012
Reserve uma oração
Você me falava que quando se abraçava um gato
toda nossa energia negativa era absorvida.
Então eu ti disse que os chineses viam as horas nos olhos dos gatos
e também me disse do cachorro que salvou a família de uma cobra
e morreu e a última coisa que ele fez
foi abanar o rabo olhando para sua dona.
Eu achei o cachorro idiota.
E você me enviava seus poemas
todo ínicio de semana
e perguntava se estava bons
e você nunca publicou.
Os teus poemas são os MELHORES que eu já li
e você umas das melhores pessoas que eu já conheci.
Você seguia lendo de cabo a rabo Álvares de Azevedo
e ficava frágil com as pessoas que
manchavam sua própria reputação fingindo ser outra pessoa,
"elas nunca MORREM, mas ficam ESCURAS e SEM BRILHO
e viram reflexos do filme da semana passada e acham que são mais que isso."
e você ficava na calçada da tua casa
olhando os vira-latas treparem e dizia
"O padeiro tem uma bunda tão grande
que acho que ele tem algum problema."
Eu ria.
E depois você me falava como é se sentir drogado o tempo todo.
"Vai passar", eu dizia.
E você se enfiava em trabalhos porque sem trabalho,
você era você mesmo e isso incomodava
e saia dizendo que ía usar 4700 substâncias por causa das
pessoas que ti maltratavam e de manhã eu acordava
com alguma frase do Álvares de Azevedo no meu celular
e a tarde você me ligava chorando
e se sentindo um verme.( você sempre esteve muito longe disso)
Eu falava para você evitá-las e que
ficaria tudo bem.
Eu falava mais algumas coisas que nunca adiantavam.
Não funcionou.
e você seguiu deixando a vida como se deixa o tédio.
E EU DESEJEI está perto de ti
e ti ajudar.
Eu ti amei como alguém que esquece a linha tênue entre o bem e o mal.
Mas, cuidei de longe,
tive medo de fazer como TODAS AS OUTRAS PESSOAS
e ti largar, ti rejeitar,
Ou não.
Talvez nunca ninguém ti entendesse
porque você é especial demais pra alguém entender.
toda nossa energia negativa era absorvida.
Então eu ti disse que os chineses viam as horas nos olhos dos gatos
e também me disse do cachorro que salvou a família de uma cobra
e morreu e a última coisa que ele fez
foi abanar o rabo olhando para sua dona.
Eu achei o cachorro idiota.
E você me enviava seus poemas
todo ínicio de semana
e perguntava se estava bons
e você nunca publicou.
Os teus poemas são os MELHORES que eu já li
e você umas das melhores pessoas que eu já conheci.
Você seguia lendo de cabo a rabo Álvares de Azevedo
e ficava frágil com as pessoas que
manchavam sua própria reputação fingindo ser outra pessoa,
"elas nunca MORREM, mas ficam ESCURAS e SEM BRILHO
e viram reflexos do filme da semana passada e acham que são mais que isso."
e você ficava na calçada da tua casa
olhando os vira-latas treparem e dizia
"O padeiro tem uma bunda tão grande
que acho que ele tem algum problema."
Eu ria.
E depois você me falava como é se sentir drogado o tempo todo.
"Vai passar", eu dizia.
E você se enfiava em trabalhos porque sem trabalho,
você era você mesmo e isso incomodava
e saia dizendo que ía usar 4700 substâncias por causa das
pessoas que ti maltratavam e de manhã eu acordava
com alguma frase do Álvares de Azevedo no meu celular
e a tarde você me ligava chorando
e se sentindo um verme.( você sempre esteve muito longe disso)
Eu falava para você evitá-las e que
ficaria tudo bem.
Eu falava mais algumas coisas que nunca adiantavam.
Não funcionou.
e você seguiu deixando a vida como se deixa o tédio.
E EU DESEJEI está perto de ti
e ti ajudar.
Eu ti amei como alguém que esquece a linha tênue entre o bem e o mal.
Mas, cuidei de longe,
tive medo de fazer como TODAS AS OUTRAS PESSOAS
e ti largar, ti rejeitar,
Ou não.
Talvez nunca ninguém ti entendesse
porque você é especial demais pra alguém entender.
3 de maio de 2012
Estrelas e anjos.
Eu leio estrelas
e me entedio com céu, a lua e
com o barulho do caminhão de lixo.
Eu leio estrelas.
"E tudo é muito pouco. Beba." está escrito.
Sento na calçada e vejo o velho que disse que vê anjos.
Eu o encontrei a tarde no supermercado
comprando uma garrafa de 51.
Ele virou- se pra mim e disse:
" É pro meu cachorro."
"Entendo," respondi.
O cachorro lati toda noite dentro do velho.
Esse velho cachaceiro já tinha me dito que estrelas não existem.
Eu não consigo enxergar anjos,
devo ser incapaz de ver seres sem sexo.
Eu leio estrelas e não entendo anjos.
O velho entende anjos e sabe exatamente o que está
escrito nas estrelas, mesmo sem acreditar nelas.
Como pode isso?
e me entedio com céu, a lua e
com o barulho do caminhão de lixo.
Eu leio estrelas.
"E tudo é muito pouco. Beba." está escrito.
Sento na calçada e vejo o velho que disse que vê anjos.
Eu o encontrei a tarde no supermercado
comprando uma garrafa de 51.
Ele virou- se pra mim e disse:
" É pro meu cachorro."
"Entendo," respondi.
O cachorro lati toda noite dentro do velho.
Esse velho cachaceiro já tinha me dito que estrelas não existem.
Eu não consigo enxergar anjos,
devo ser incapaz de ver seres sem sexo.
Eu leio estrelas e não entendo anjos.
O velho entende anjos e sabe exatamente o que está
escrito nas estrelas, mesmo sem acreditar nelas.
Como pode isso?
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