14 de fevereiro de 2012

rotina-2

durmo mal e
acendo o sol pela manhã.

espero todos os dias "o choque
de realidade", "o tapa","o soco" "o despertar"
qualquer coisa que me faça sentir algo.
todo ser humano tem que sentir, é a graça da vida.
o sentimento.

Me arrumei e fui em uma entrevista de emprego.
que porre,eu finjo satisfação.
qual é? é tão normal não fingir ser nós mesmos.
o trampo era de 8 horas , melhor que o meu anterior que era de 10 horas e ganhava menos.

eu estava com a mesma sensação
que eu não precisava ser salva daquilo.entende?
eu precisava era largar todo aquele troço e mandar todos tomarem no cú ...
assim..bem calmamente.como um bom- dia.

o cara da entrevista disse que vai me chamar
para uma dinâmica.eu torço contra e a favor ao mesmo tempo.
agradeço.sigo pro ponto de ônibus e espero.
A gente espera tudo.A gente agradece tudo.
Esperando sem esperar que melhore.apenas espera.
a gente passa a vida agradecendo quem não merece agradecimentos.
gratidão desnecessária é baixa auto estima e espera crua é loucura.

eu sou só mais uma.
mais uma, apenas mais uma
na multidão.... na geração.
a geração dos descontentes,
dos deprimidos,dos que dormem mal a noite
e acordam cedo.
que  trabalham em empregos que detestam
pra comprar porcarias que não precisam
e estudam , por mera obrigação.
"os sem sentido", "os ocos", "os mornos".
os que o yoga não fez efeito, nem a religião, nem a poesia,
nem os copos e nem os corpos.
nem nada.
Os que choram sem sequer uma lágrima nos olhos.
Descontentes. talentos fracos e sonolentos em ônibus lotados
de seg a sex, de seg a sab , de seg a seg. desperdiçados.

Eu queria escrever mais alguma merda,
mas minha caneta está acabando e minha paciência também.

1 comentários:

Felipe S. disse...

"Os que choram sem sequer uma lágrima nos olhos.
Descontentes. talentos fracos e sonolentos em ônibus lotados
de seg a sex, de seg a sab , de seg a seg. desperdiçados.

Eu queria escrever mais alguma merda,
mas minha caneta está acabando e minha paciência também."


Sou eu aí, descrito nesse trecho. Mais uma vez falou por mim.